terça-feira, 7 de outubro de 2014


a minha morte nao vai ser noticiada
anunciada
Será silenciosa
Sem rituais, despedidas
vou ficar na memoria
no ar de quem conheceu
fora isso não tem nada
mural do facebook ou túmulos onde se depositam flores
o meu presente é o que 
me torna
algo que certas pessoas 
nunca irão esquecer
até que essas pessoas que não esqueceram morram

quarta-feira, 11 de setembro de 2013


No instante do entanto

Diga minha poesia
E esqueça-me se for capaz
Siga e depois me diga
Quem ganhou aquela briga
Entre o quanto e o tanto faz

P. Leminski

"... a passagem do tempo, a impossibilidade do amor, pessoas certas cujos destinos se cruzam na hora errada" (Zhang Wong)

domingo, 3 de março de 2013

De uma história maluca fazem-se as histórias mais incríveis de nossas vidas

"Quando eu supero meu medo, eu vejo o medo do outro "
"O corajoso não é aquele que não sente, é o que administra o medo e sabe que sentiu o medo "

confissão

dos males que vem para o bem
vamos recortando memórias
às vezes vitórias

dos bens que provém dos males que vem para o bem
brotam flores coloridas
que efemeramente
perfumam sutilmente
e morrem rapidamente

dos males 
que vieram para o bem apesar do
não parecer

sobram cinzas pra ventania levar embora
cinzas que seremos
esvaneceremos

deixaremos então
sombras de trejeitos
rastros de risadas
espaços vazios

vazios de presença nossa
cheios de ilustres recordações
de caras que nunca vimos no espelho
mas que deixam marcos 
formam expressões únicas
nos corações alheios

com o tempo,
a grande borracha do Universo,
esfalecerão os rastros que deixamos
com o tempo,
tudo isso será esquecido

E por um egoísmo extremo, 
Me dói

me apeguei à vida
não quero ser a cinza que se esvai
quero ser o colorido da verdade
Que pulsa verde, vivente, sobrevivendo
Vivendo, acima de tudo
com a mais complexa abundância de emoções

somente um desabafo
onde as vestes caem
e me mostro completamente nua
ou completamente sua
Confesso a fragilidade de ser o que sou
onde não me orgulho
nem me envaideço

segunda-feira, 19 de novembro de 2012



Amor — pois que é palavra essencial 
comece esta canção e toda a envolva. 
Amor guie o meu verso, e enquanto o guia, 
reúna alma e desejo, membro de vulva. 

Quem ousará dizer que ele é só alma? 
Quem não sente no corpo a alma expandir-se 
até desabrochar em puro grito 
de orgasmo, num instante de infinito? 

O corpo noutro corpo entrelaçado, 
fundido, dissolvido, volta à origem 
dos seres, que Platão viu completados: 
é um, perfeito em dois; são dois em um. 

Integração na cama ou já no cosmo? 
Onde termina o quarto e chega aos astros? 
Que força em nossos flancos nos transporta 
a essa extrema região, etérea, eterna? 

Ao delicioso toque do clitóris, 
já tudo se transforma, num relâmpago. 
Em pequenino ponto desse corpo, 
a fonte, o fogo, o mel se concentraram. 

Vai a penetração rompendo nuvens 
e devassando sóis tão fulgurantes 
que nunca a vista humana os suportara, 
mas, varado de luz, o coito segue. 

E prossegue e se espraia de tal sorte 
que, além de nós, além da própria vida, 
como activa abstracção que se faz carne, 
a ideia de gozar está gozando. 

E num sofrer de gozo entre palavras, 
menos que isto, sons, arquejos, ais, 
um só espasmo em nós atinge o clímax: 
é quando o amor morre de amor, divino. 

Quantas vezes morremos um no outro, 
no húmido subterrâneo da vagina, 
nessa morte mais suave do que o sono: 
a pausa dos sentidos, satisfeita. 

Então a paz se instaura. A paz dos deuses, 
estendidos na cama, quais estátuas 
vestidas de suor, agradecendo 
o que a um deus acrescenta o amor terrestre. 

Carlos Drummond de Andrade, in 'O Amor Natural'

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

"Precisamos decidir como podemos ser valiosos, em vez de pensar em quão valiosos somos."
F Scott Fitzgerald

Tenho pensado consantemente nisso, em busca da evolução e ascenção, superação, transcendência.
No quanto posso fazer a mais pelo mundo, pelas pessoas, pelos animais que tanto amo, pela nossa querida mãe terra. Pela humanidade.
Nossas atitudes podem ser grandiosas armas de guerreiros da luz, onde batalhamos por um mundo realmente melhor, e nosso principal escudo é a fé que nos projeta sempre à frente.

Unir positividade e ser realista ao mesmo tempo demanda conscientização, reflexão, olhar fora da bolha, transcender o indivíduo, abrir o horizonte da visão.

Eu quero sempre estar atenta para um ponto de vista que não é o meu, isso é o caminho pra compreensão que tanto buscamos. Para compreender o outro, precisamos nos colocar no lugar dele.

Compreensão com o caminho do outro, respeito com o espaço dele, amor como forma de conexão.

Não é coincidência. É sintonia.

Conexão.


E conectados podemos seguir nossos caminhos, obstáculos e vitórias pessoais, cheios e completos pelo amor que sentimos, por cada sorriso que levamos eterno na memória.


domingo, 23 de setembro de 2012


Fernando Pessoa
( Alberto Caeiro )

O amor é uma companhia. 
Já não sei andar só pelos caminhos, 
Porque já não posso andar só. 
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa 
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo. 
Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo. 
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas. 
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela. 
Todo eu sou qualquer força que me abandona. 
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Adélia Prado já havia dito, escrito, o que flagro:

 O que a memória ama, fica eterno.Te amo com a memória, imperecível.Adélia Prado

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Sintopensopulsovivoagradeço

O pulso que sente
Sente porque pulsa
Pulsa porque vive
só vive porque agradece

sinto e penso pois é assim que eu pulso,
no compasso do agradecimento
vivo pra sentir!

Agradeço pelo pulso,
penso no que vivo,
sinto vida

Pensando vivo agradecendo,
Sentindo pulso

Vivendo sinto a gratidão
Pensando no que sinto
pulso vida

Quando eu sinto, eu sinto muito
Depois eu penso, penso muito
Mas deixo muito o pulso
Pulsar pela vida

Agradeço e a vida
pulsa mais a cada dia



De repente assim, como vento sem volta
Como se não fosse muito
de repente assim,
como o rio que flui,
ou chuva que se forma e cai
nosso encontro acontece

E depois de tanto em ti pensar, cá estás
Depois de tanto desejar sem entender,
Sinto sua presença, te vejo


De repente, teus olhos
reagem aos meus
De repente, te tenho
Aqui nesses braços em abraços

A conexão acontece
Não há distância nem tempo

E me entrego assim
Corpo, alma, essência, sem fim
Tua presença se somando à minha

Agradeço o acaso dos encontros e as voltas que o mundo dá
Quantas ele teve que dar pra esse momento chegar?
Em quantas delas nos desencontramos
Em tantos trajetos encruzilhados?

O que faz a vida valer a pena mais do que breves momentos?


Breves, intensos, completos
Momentos de agoras, de presentes do tempo
Instantes, relances...


Tudo passa e nada fica
Ficarão estas palavras e eu não ficarei

Para o amor não há certo e errado
nem tempo, nem espaço
agradeço pelo amor, pelo amar,
pelo tanto que amei e vou amar

por aquele breve momento repleto de agoras presentes divinos da vida tempo espaço Universo!









sábado, 8 de setembro de 2012

Como explicar as sensações que despertas em mim?
Porquê tentar explicá-las? Porquê querer tanto que o meu coração e a minha razão concordem, cheguem num acordo?
Porque tão misteriosos para a mente os caminhos e devaneios do coração?
Porquê o coração se encanta tanto com as pessoas?
O coração, espontâneo como criança, se abre! Se encanta, se apaixona, se entrega...
A mente reage!
Pensando fixamente. Fica fixa no eixo desse fluxo!
A mente cria o problema... enquanto o coração só se embriaga nas nuances coloridas... cheias de presença diluídas em voz, olhar, sorriso, tua essência que emana sem palavras...
A mente simplesmente não entende os caminhos do coração.

Se a mente influencia o coração,
Este se fecha se esfria, se esquece, não mais aquece
O coração se cala, não mais canta
Aquelas canções todas! Falavam de amor...
Desta forma, a mente pode reinar absoluta coordenando friamente seus atos enquanto o coração sonha em coma, está engaiolado!Bate agora só fisicamente

No reino da mente, tudo tem forma, palavra, descrição e explicação. Tudo é sem emoção? A mente ouve o medo, a mente é precavida, não dá ponto sem nó, justifica-se sempre?
A mente não pára! Inventa sonhos, traduz línguas, explica cenas, observa detalhada e minuciosamente.

O coração sempre fala mais alto, e é preciso proibir que entre em coma!
ele acredita na alma
ele acredita na essência e no que é essencial
Sobre a influência do coração a mente se abre
Se questiona, se relaciona, se conecta a novos pontos de vista do mundo,
Se perde em galáxias e universos
A mente e coração unidos podem criar essa canção silenciosa harmoniosa

A maior viagem é tentar descobrir o equilíbrio entre vontades e medos, aceitar a presença do medo, e parar de ter mais medo ainda do medo. Desses tantos medos que nos permeiam, seres pensantes confabulosos e imaginários, que vivem tanto dentro de suas próprias mentes.








o que dizer pra mim mesma?

Vamos parar de querer o que não vai dar certo?

Olhos abertos pra prosperidade!

Não para relações infundadas!

Não para coisas passageiras!

Sim para as coisas que têm, e MUITO, fundamento.

Profundidade.


As raízes querem encontrar o ponto mais distante da copa

desta esplendorosa árvore
Formou-se um abismo onde havia uma ponte.

Dos abismos se faz a mais profunda solidão.
Das pontes se fazem os mais verdadeiros compartilhamentos.

Compartilho sem medo do abismo do após

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Fale com o coração e aja com coragem. 

quarta-feira, 4 de julho de 2012


perder o rumo é bom
se perdido a gente encontra


 um sentido escondido em algum lugar

terça-feira, 3 de julho de 2012


quarta-feira, 27 de junho de 2012


Essa cidade onde a gente se perde tanto pra se encontrar

mas a gente se encontra
acaba se identificando
se mesclando
camuflando

se fragmentar
e reconstruir

A solidão e a cidade...

http://www.youtube.com/watch?v=VO9lvkgsqjs&feature=plcp

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Minha mente vagueia em reflexões sobre 3 movimentos: 

Geração, degeneração e regeneração 

divagações sobre o encontro

en.contro
en.coutro?

noenc.ontrocom.o.outro.

eu.contro?

eucontrootro?
eucontraotro?
o.eu.encontra.o.outrono.encontro
o.eu.se.en.contra.nooutro

meencontronooutro

Encontro é quando me encontro no outro.


quinta-feira, 7 de junho de 2012

enc.ontro




"O encontro de duas pessoas é como o encontro de duas substâncias químicas. Quando acontece alguma coisa, ambas se modificam."
C. G. Jung

domingo, 8 de abril de 2012

Eu e minhas viagens




eu e minhas viagens à passados apaixonadamente inventados em cima de realidades talvez não tão intensas,

ou eu e minhas viagens à futuros romanticamente invetandos sobre tempos que talvez nunca cheguem

ou eu e minhas viagens no presente:

ao meu presente
que me foi dado
sem antes terem perguntado
se eu o iria querer

presente que só é presente
porque esse presente inclui um desviver
a data de validade do coração batendo
não deu pra ler

domingo, 27 de novembro de 2011

Ins... PIRO!


Já dizia o Ney Matogrosso naquela canção,
Já se perguntava:

"A inspiração vem de onde?
Pergunta pra mim alguém
Respondo talvez de Londres
De avião, barco ou ponte

Vem com meu bem de Belém
Vem com você nesse trem

Nas entrelinhas de um livro
Da morte de um ser vivo
Das veias de um coração
Vem de um gesto preciso
Vem de um amor, vem do riso

Vem por alguma razão

Vem pelo sim, pelo não

Vem pelo mar gaivota
Vem pelos bichos da mata
Vem lá do céu, vem do chão
Vem da medida exata
Vem dentro da tua carta
Vem do Azerbaidjão

Vem pela transpiração

A inspiração vem de onde, de onde?


Vem da tristeza, alegria
Do canto da cotovia
Vem do luar do sertão
Vem de uma noite fria
Vem olha só quem diria
Vem pelo raio e trovão
No beijo dessa paixão
A inspiração vem de onde, de onde?"

pra mim ela vem do céu.

Vem de longe,

Pra mim vem rara.

E intensa.

É difícil viver.
Mas é tão bom! É tão diverso e adverso.Tão surpreendente!

E chato.
Rotineiro... e sem fundamento!

De repente, divertido e apressado!!!!

É tanta diversidade assim,
Que me faz ficar curiosa demais pelo que há por vir!

Só queria que não fosse ter fim...
Mas já que tem,

vou tratar de aproveitar muito bem

Quero que nada que deva ser dito fique guardado.
Quero que o amor seja realmente espalhado.



De repente uma sensação de consciência da vida toda em um segundo...

Como se fosse o segundo antecedente ao fim de mim

Um amor gigante vem e explode no peito, sabe?
Explode e não cabe.
Sai, jorra...
Sai em forma de água,
dos olhos que tudo viram...
Lava.
Molha.

Brota

Faz renascer

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Vai, caminhante...





Andando por aí, solta no "mundão véio sem porteira", a caminhante segue em passos firmes. Seu olhar é amplo.
Sua feição é séria.
Mas...
é só o olhar amplo encontrar uma cor, que ele foca.

E a faz parar.

A caminhante para.

Para e repara.

O olhar foca. (Entende?) Saca o dispositivo congelador de momento do bolso.

Dispara (eterniza?) e segue ...
Mantendo o olhar amplo,
pra poder focar
(no que sequer entende porquê raios acha interessante)

Acha muita coisa interessante.Vai reparando.

Olha pro alto das árvores, fitando os pássaros....

Isso alegra a caminhante!

Ela queria na verdade ser um pássaro.E reparando em seu vôo, consegue sentir um pouco dele...

Mas segue...

Vai pelo mundão...caminha com leveza,

Mas com certeza.

Por vezes, com o olhar perdido


Numa sacola invisível com restos, pedaços do passado...
um pouco de dor, um pouco do amor que findou...um pouco dos sorrisos de criança...
um pouco do colo da avó preferida...Um pouco do gosto de ventos distantes...

Nesse seguir a caminhante sente muito! Sente tanto!Sente tudo!

Neste caminho se encontra muita gente...gente pra todos os gostos...
Gente de todos os tipos
Gente com todos os tamanhos de coração.

Ela gosta de colocar seu coração nos passos e, com isso, ela ama as pessoas. E nunca esquece...

E é exatamente por isso que a caminhante só para para reparar, mas

Continua sempre seguindo sua jornada.


Passo atrás de passo,

Parando para reparar,

Reparando e caminhando,

Olhando pra cima

E encontrando o céu

Em cada passo
"Quantas estrelas, o mesmo céu
quantos céus, o mesmo mundo
quantos mundos, o mesmo universo
quantos universos em mim
quantas estrelas num só mundo
quantas vidas (?)

Quantas palavras e um livro
quantas palavras e um significado
quantos livros em uma só estante
quantos gestos em um só instante

Quantos canais, uma TV
quantas formas de se ver a mesma coisa
quantas pessoas em minha mente única
quantos mundos em ti
quantas pessoas em meu coração
quantos EUS (?)

Quantas pessoas por mim passam,
Indo e vindo vêm e vão
Dia a dia do mesmo ano,
Da mesma vida - EU (?)

Quantos eus em um só
quantos eus em você
quantos tudos tudo únicos,
Unidos em um só tudo
Eu e você, um só - Único, tudo."

(2001)

Resgatando velhos cadernos 3

"Perfeito demais - impossibilidade
então somos realidade
eu na minha linha
você na sua

Tudo tão distante
tão presente
Opostos se atraem por tempo limitado
As diferenças (êxtase de tudo)
diferenciando, separam

E assim acaba a estória
(ai se apagasse da memória)
A perfeição de tudo está aí
O porquê de tudo ainda não descobri"



"...quando não queremos sonhar mais
seja como for
sonhe como nunca será
viva como deve ser

"a única necessidade da luz
vem dela mesma
antes dela, ninguém precisava sair da escuridão
O sol existe por si mesmo
e a noite cai só para nos dar por sua falta...
da claridade do novo velho dia"


" um corpo gelado caído no sol,
sua alma inspira o vapor da carência
e a solidão se derrete por dentro
e se esquenta, se acalma
e se cala
e se prepara por esperar o que não virá"

"sinto falta do que não
sinto falta
sinto falta da falta que fazia
sinto falta de sentir
que sinto tanta falta
do que me falta "

"às vezes a gente acha que a vida
nos impõe caminhos
e que esses caminhos vão nos levar ao nosso destino
mas a vida não manda
na névoa, na lua, no vento cortante
e a gente cruza as ruas com os próprios pés
e no universo particular
nada acontece por acaso
pra quem sai na noite e sente
que a calada convida à busca do essencial
o pulso não pulsa por ocasião
e não há falta de opção
nem beco sem saída"

Resgatando velhos cadernos 2

"Chegando na hora do vamo vê,
Ver o que?
É só olhar pro lugar certo, na hora certa, na rua certa, em um endereço certo
endereço, cabeçalho, caligrafia,
Joana, Paula, Maria, Eusébia, Ana Lúcia, Rafaela
Antônio, Marcos, Fábio, Henrique, Carlos, José

Todos e todas sempre aprendendo com as burrices, com os erros,

Escrevendo sua vida sem direito à rascunho ou borracha...

A ameaça sempre volta!"


" Aqui eu sou eu?
Quem sou eu?
Lá serei quem?
Será que outrem
vai me alegrar...

navegar...

acordar pra depois dormir
O outrem vai gostar de quem?
De mim ou de ninguém?
Será que de alguém?

navegar...

por esse mar...

prateado mar, na lissergia de outrora fora roxo
noutro contexto rubi,
e todas as cores que só as mulheres sabem o nome."

"A verdade é:
É tudo mentira!!!"

Resgatando velhos cadernos

Vou postar um texto que eu escrevi. Já tem 7 anos.
Na época acabou virando uma música, mas até hoje eu não aprendi os acordes para tocá-la. O compositor está me devendo isso...

Mesmo assim, resolvi postá-la pois há elementos desse texto que me formam até hoje...

"Eu paro e reparo!"

Eu vivo parando e reparando!Nisso também sempre agradeço por ter visão, ainda que escassa e míope, pois sem ela eu simplesmente seguiria... mas eu gosto de parar. E reparar.

Mas voltando ao texto, não que eu ache lindo ou uma obra de arte. Foram só palavras que saíram naquele breve momento que passou.
Aquele momento era lindo: uma tarde meditativa em uma praia deserta onde passei uma manhã e tarde sozinha, na Ilha Grande, na lindíssima praia de Parnaioca.
Estávamos em 4 - dois caisais.Acampávamos juntos, na mesma barraca, nesta praia onde era proibido camping, pois é uma área de reserva. Todos resolveram fazer um passeio longo até outra praia da Ilha, mas eu estava simplesmente encantada e tão em paz em Parnaioca que fiquei por lá.

Num encontro entre o rio e o mar, ali estava eu... e simplesmente saíram essas palavras...

"Chapando o coco
Queiamando a pele
Abrindo os olhos
Sentindo a brisa

Chapando os olhos
Abrindo o coco
Queimando a brisa
Abrindo a pele

Abrindo a brisa
Queimando o coco
Sentindo os olhos
Chapando a pele

Abrindo a pele
Chapando a brisa
Queimando os olhos
Sentindo o coco

Incorporando a mata ao meu redor,
Contemplando cada segundo das ondas do mar
Do vôo dos pássaros, das borboletas amarelas
Escutando o som perfeito da natureza
A harmonia que o homem se recusa e enxergar:
(A comunicação eterna da vida que harmoniosamente conversa, se transformando o tempo todo)

Eu paro e reparo
Reparo nisso tudo
No silêncio das vozes humanas que se calam
As vozes da natureza é que falam
Tudo que eu preciso ouvir,
É tudo que eu preciso ouvir

(No silêncio eu me comunico com o mundo pois me desligo do eu)

Contemplando eu sou a forminga, a nuvem, o vento, as ondas, as aves, os siris...
Todos os seres que vivem e que colaboram para a vida

Eu paro de ser o eu para ser o mundo

Eu vou notando cada detalhe do verde da verdade viva da beleza natural

Verde verdade viva!"

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Vôo livre




" … sobre um Pássaro Encantado e uma Menina que se amavam. O Pássaro era encantado porque não vivia em gaiolas, vinha quando queria, partia quando queria… A Menina sofria com isso, porque amava o Pássaro e queria que ele fosse seu para sempre. Aí ela teve um pensamento perverso: “Se eu prender o Pássaro Encantado numa gaiola, ele nunca mais partirá, e seremos felizes, sem fim…” E foi isso que ela fez. Mas aconteceu o que ela não imaginava: o Pássaro perdeu o encanto. A Menina não sabia que, para ser encantado, o Pássaro precisava voar… "




"Não sei se a vida é curta ou longa para nós, mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas. E isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida. É o que faz com que ela não seja nem curta, nem longa demais, mas que seja intensa, verdadeira, pura enquanto durar."



segunda-feira, 4 de julho de 2011

desabafo

foi tanta coisa, mas foi tão pouco...
paro aqui em meio a todas as coisas inadiáveis que preciso fazer e lembro do teu cheiro...e sinto a tua falta... faltou...
não deu tempo.
não tivemos tempo... nem tivemos nem teremos, simplesmente não era pra ser. Vou me conformar com esse fim reticente, sem se esgotar. Como a morte que vem e não pede licença.

mesmo assim, ficou
ficou um pouco de vc pelos poucos caminhos que percorremos...e esse pouco vem como alucinação engrandecida, quando por lá passo sozinha...e vem teu sorriso...e vem aquele olhar desconfiado, de interessado, aquela cena que dura menos de um segundo...
ai a vida e esses segundos, que nos acompanham por anos, como lembranças reluzentes de um passado que se faz presente, por causa da ausência.
A tua ausência está cheia de você, e a tua lembrança neste momento é como um sonho que tento lembrar e não consigo. A tua lembrança parece mentira.

Por todos os lados essa ausência me move, me faz correr em direção à tudo aquilo que não me lembre você, à tudo aquilo que já existia...

segunda-feira, 27 de junho de 2011

sem entender como não se cansa

“Lá está ela, mais uma vez. Não sei, não vou saber, não dá pra entender como ela não se cansa disso. Sabe que tudo acontece como um jogo, se é de azar ou de sorte, não dá pra prever. Ou melhor, até se pode prever, mas ela dispensa.
Acredito que essa moça, no fundo gosta dessas coisas. De se apaixonar, de se jogar num rio onde ela não sabe se consegue nadar. Ela não desiste e leva bóias. E se ela se afogar, se recupera.
Estranho e que ela já apanhou demais da vida. Essa moça tem relacionamentos estranhos, acho que ela está condicionada a ser uma pessoa substituta. E quem não é?
A gente sempre acha que é especial na vida de alguém, mas o que te garante que você não está somente servindo pra tapar buracos, servindo de curativo pras feridas antigas?
A moça…ela muito amou, ama, amará, e muito se machuca também. Porque amar também é isso, não? Dar o seu melhor pra curar outra pessoa de todos os golpes, até que ela fique bem e te deixe pra trás, fraco e sangrando. Daí você espera por alguém que venha te curar.
Às vezes esse alguém aparece, outras vezes, não. E pra ela? Por quem ela espera?
E assim, aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará.
A moça – que não era Capitu, mas também têm olhos de ressaca – levanta e segue em frente.
Não por ser forte, e sim pelo contrário… Por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. Afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo.”



Caio Fernando Abreu

terça-feira, 21 de junho de 2011

reflexões



Estive lendo as Confissões, de Santo Agostinho, e gostaria de deixar um trecho aqui para os tão raros leitores deste blog.

"...Perguntei à terra, perguntei ao mar e às profundezas, entre os animais viventes às coisas que rastejam. Perguntei aos ventos que sopram, aos céus, ao sol, à lua, às estrelas, e a todas as coisas que se encontram às portas da minha carne...

Minha pergunta era o olhar com que as olhava.

Sua resposta era a sua beleza. "



quinta-feira, 28 de abril de 2011

Olhai para cima

Eu olho pra cima.
Aliás sempre que possível.
O céu me traz a infinitude...
Está tão longe, tão perto, às vezes fica dentro de mim, e às vezes consigo uma foto dele.
Essa acima foi tirada no primeiro dia do ano de 2011.
Um ano que já começou com muita "dança da mudança", me levando a percorrer e redescobrir caminhos diferentes!E relembrando que "só a mudança é permanente". No meio dessas danças e mudanças, eu vou lá um pouco pra olhar o céu...
O céu acalma meus anseios quando paro tudo e me perco olhando pra imensidão dele.
Pode ser num azul tremendo, na luz das estrelas, no sol se pondo, pássaros voando, avião passando, nuvens dançantes, nuances...

O mistério mora no céu.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Essência secreta




"A finalidade da arte é dar corpo à essência secreta das coisas, não copiar sua aparência. "
Aristóteles


segunda-feira, 18 de abril de 2011

Momentos: isso é tudo




...Porque a vida é isso: uma arte de celebrar momentos...

terça-feira, 29 de março de 2011

Desabafo do corpo relutante relutando

coração querendo se perder por aí

e a mente não

ela quer voar pra longe

quer novo horizonte

o coração só quer se perder

se perder de amor por alguem

por ai, por um bem

em qualquer esquina

em algum olhar

em encontros e em pessoas

em olhos e olhares

o coração só quer mistério

se perder e se entregar

ele não se cansa

de querer se entregar ao mistério

se jogar do abismo do agora momento

a mente não

ela vê lá na frente, buscando novo horizonte

trazendo o passado por vezes

dilascerante

E o coração e a mente brigando pelo corpo

pelo caminho que o corpo

vai passar

a mente escolhe um lado, logo o coração quer outro

a mente vê os caminhos, lá em frente

o coração só quer o mistério

o coração nunca liga de sofrer

o coração não se cansa

de procurar o melhor caminho para se perder

e se entregar

o coração quer se enlaçar com outro coração

mas a mente não

a mente vai decidir o caminho onde o corpo vai passar

a mente ve lá na frente

o coração quer se entregar ao presente

ele não liga nunca de se apaixonar

ele não liga nunca de sofrer

e o corpo sempre dividido entre mente e coração

pisando cada hora com o passo em uma direção

não sabe onde ir

já não sabe não ser mais ser só mente

precisa aprender

a ser menos coração