domingo, 27 de novembro de 2011

Ins... PIRO!


Já dizia o Ney Matogrosso naquela canção,
Já se perguntava:

"A inspiração vem de onde?
Pergunta pra mim alguém
Respondo talvez de Londres
De avião, barco ou ponte

Vem com meu bem de Belém
Vem com você nesse trem

Nas entrelinhas de um livro
Da morte de um ser vivo
Das veias de um coração
Vem de um gesto preciso
Vem de um amor, vem do riso

Vem por alguma razão

Vem pelo sim, pelo não

Vem pelo mar gaivota
Vem pelos bichos da mata
Vem lá do céu, vem do chão
Vem da medida exata
Vem dentro da tua carta
Vem do Azerbaidjão

Vem pela transpiração

A inspiração vem de onde, de onde?


Vem da tristeza, alegria
Do canto da cotovia
Vem do luar do sertão
Vem de uma noite fria
Vem olha só quem diria
Vem pelo raio e trovão
No beijo dessa paixão
A inspiração vem de onde, de onde?"

pra mim ela vem do céu.

Vem de longe,

Pra mim vem rara.

E intensa.

É difícil viver.
Mas é tão bom! É tão diverso e adverso.Tão surpreendente!

E chato.
Rotineiro... e sem fundamento!

De repente, divertido e apressado!!!!

É tanta diversidade assim,
Que me faz ficar curiosa demais pelo que há por vir!

Só queria que não fosse ter fim...
Mas já que tem,

vou tratar de aproveitar muito bem

Quero que nada que deva ser dito fique guardado.
Quero que o amor seja realmente espalhado.



De repente uma sensação de consciência da vida toda em um segundo...

Como se fosse o segundo antecedente ao fim de mim

Um amor gigante vem e explode no peito, sabe?
Explode e não cabe.
Sai, jorra...
Sai em forma de água,
dos olhos que tudo viram...
Lava.
Molha.

Brota

Faz renascer

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Vai, caminhante...





Andando por aí, solta no "mundão véio sem porteira", a caminhante segue em passos firmes. Seu olhar é amplo.
Sua feição é séria.
Mas...
é só o olhar amplo encontrar uma cor, que ele foca.

E a faz parar.

A caminhante para.

Para e repara.

O olhar foca. (Entende?) Saca o dispositivo congelador de momento do bolso.

Dispara (eterniza?) e segue ...
Mantendo o olhar amplo,
pra poder focar
(no que sequer entende porquê raios acha interessante)

Acha muita coisa interessante.Vai reparando.

Olha pro alto das árvores, fitando os pássaros....

Isso alegra a caminhante!

Ela queria na verdade ser um pássaro.E reparando em seu vôo, consegue sentir um pouco dele...

Mas segue...

Vai pelo mundão...caminha com leveza,

Mas com certeza.

Por vezes, com o olhar perdido


Numa sacola invisível com restos, pedaços do passado...
um pouco de dor, um pouco do amor que findou...um pouco dos sorrisos de criança...
um pouco do colo da avó preferida...Um pouco do gosto de ventos distantes...

Nesse seguir a caminhante sente muito! Sente tanto!Sente tudo!

Neste caminho se encontra muita gente...gente pra todos os gostos...
Gente de todos os tipos
Gente com todos os tamanhos de coração.

Ela gosta de colocar seu coração nos passos e, com isso, ela ama as pessoas. E nunca esquece...

E é exatamente por isso que a caminhante só para para reparar, mas

Continua sempre seguindo sua jornada.


Passo atrás de passo,

Parando para reparar,

Reparando e caminhando,

Olhando pra cima

E encontrando o céu

Em cada passo
"Quantas estrelas, o mesmo céu
quantos céus, o mesmo mundo
quantos mundos, o mesmo universo
quantos universos em mim
quantas estrelas num só mundo
quantas vidas (?)

Quantas palavras e um livro
quantas palavras e um significado
quantos livros em uma só estante
quantos gestos em um só instante

Quantos canais, uma TV
quantas formas de se ver a mesma coisa
quantas pessoas em minha mente única
quantos mundos em ti
quantas pessoas em meu coração
quantos EUS (?)

Quantas pessoas por mim passam,
Indo e vindo vêm e vão
Dia a dia do mesmo ano,
Da mesma vida - EU (?)

Quantos eus em um só
quantos eus em você
quantos tudos tudo únicos,
Unidos em um só tudo
Eu e você, um só - Único, tudo."

(2001)

Resgatando velhos cadernos 3

"Perfeito demais - impossibilidade
então somos realidade
eu na minha linha
você na sua

Tudo tão distante
tão presente
Opostos se atraem por tempo limitado
As diferenças (êxtase de tudo)
diferenciando, separam

E assim acaba a estória
(ai se apagasse da memória)
A perfeição de tudo está aí
O porquê de tudo ainda não descobri"



"...quando não queremos sonhar mais
seja como for
sonhe como nunca será
viva como deve ser

"a única necessidade da luz
vem dela mesma
antes dela, ninguém precisava sair da escuridão
O sol existe por si mesmo
e a noite cai só para nos dar por sua falta...
da claridade do novo velho dia"


" um corpo gelado caído no sol,
sua alma inspira o vapor da carência
e a solidão se derrete por dentro
e se esquenta, se acalma
e se cala
e se prepara por esperar o que não virá"

"sinto falta do que não
sinto falta
sinto falta da falta que fazia
sinto falta de sentir
que sinto tanta falta
do que me falta "

"às vezes a gente acha que a vida
nos impõe caminhos
e que esses caminhos vão nos levar ao nosso destino
mas a vida não manda
na névoa, na lua, no vento cortante
e a gente cruza as ruas com os próprios pés
e no universo particular
nada acontece por acaso
pra quem sai na noite e sente
que a calada convida à busca do essencial
o pulso não pulsa por ocasião
e não há falta de opção
nem beco sem saída"

Resgatando velhos cadernos 2

"Chegando na hora do vamo vê,
Ver o que?
É só olhar pro lugar certo, na hora certa, na rua certa, em um endereço certo
endereço, cabeçalho, caligrafia,
Joana, Paula, Maria, Eusébia, Ana Lúcia, Rafaela
Antônio, Marcos, Fábio, Henrique, Carlos, José

Todos e todas sempre aprendendo com as burrices, com os erros,

Escrevendo sua vida sem direito à rascunho ou borracha...

A ameaça sempre volta!"


" Aqui eu sou eu?
Quem sou eu?
Lá serei quem?
Será que outrem
vai me alegrar...

navegar...

acordar pra depois dormir
O outrem vai gostar de quem?
De mim ou de ninguém?
Será que de alguém?

navegar...

por esse mar...

prateado mar, na lissergia de outrora fora roxo
noutro contexto rubi,
e todas as cores que só as mulheres sabem o nome."

"A verdade é:
É tudo mentira!!!"

Resgatando velhos cadernos

Vou postar um texto que eu escrevi. Já tem 7 anos.
Na época acabou virando uma música, mas até hoje eu não aprendi os acordes para tocá-la. O compositor está me devendo isso...

Mesmo assim, resolvi postá-la pois há elementos desse texto que me formam até hoje...

"Eu paro e reparo!"

Eu vivo parando e reparando!Nisso também sempre agradeço por ter visão, ainda que escassa e míope, pois sem ela eu simplesmente seguiria... mas eu gosto de parar. E reparar.

Mas voltando ao texto, não que eu ache lindo ou uma obra de arte. Foram só palavras que saíram naquele breve momento que passou.
Aquele momento era lindo: uma tarde meditativa em uma praia deserta onde passei uma manhã e tarde sozinha, na Ilha Grande, na lindíssima praia de Parnaioca.
Estávamos em 4 - dois caisais.Acampávamos juntos, na mesma barraca, nesta praia onde era proibido camping, pois é uma área de reserva. Todos resolveram fazer um passeio longo até outra praia da Ilha, mas eu estava simplesmente encantada e tão em paz em Parnaioca que fiquei por lá.

Num encontro entre o rio e o mar, ali estava eu... e simplesmente saíram essas palavras...

"Chapando o coco
Queiamando a pele
Abrindo os olhos
Sentindo a brisa

Chapando os olhos
Abrindo o coco
Queimando a brisa
Abrindo a pele

Abrindo a brisa
Queimando o coco
Sentindo os olhos
Chapando a pele

Abrindo a pele
Chapando a brisa
Queimando os olhos
Sentindo o coco

Incorporando a mata ao meu redor,
Contemplando cada segundo das ondas do mar
Do vôo dos pássaros, das borboletas amarelas
Escutando o som perfeito da natureza
A harmonia que o homem se recusa e enxergar:
(A comunicação eterna da vida que harmoniosamente conversa, se transformando o tempo todo)

Eu paro e reparo
Reparo nisso tudo
No silêncio das vozes humanas que se calam
As vozes da natureza é que falam
Tudo que eu preciso ouvir,
É tudo que eu preciso ouvir

(No silêncio eu me comunico com o mundo pois me desligo do eu)

Contemplando eu sou a forminga, a nuvem, o vento, as ondas, as aves, os siris...
Todos os seres que vivem e que colaboram para a vida

Eu paro de ser o eu para ser o mundo

Eu vou notando cada detalhe do verde da verdade viva da beleza natural

Verde verdade viva!"

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Vôo livre




" … sobre um Pássaro Encantado e uma Menina que se amavam. O Pássaro era encantado porque não vivia em gaiolas, vinha quando queria, partia quando queria… A Menina sofria com isso, porque amava o Pássaro e queria que ele fosse seu para sempre. Aí ela teve um pensamento perverso: “Se eu prender o Pássaro Encantado numa gaiola, ele nunca mais partirá, e seremos felizes, sem fim…” E foi isso que ela fez. Mas aconteceu o que ela não imaginava: o Pássaro perdeu o encanto. A Menina não sabia que, para ser encantado, o Pássaro precisava voar… "




"Não sei se a vida é curta ou longa para nós, mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas. E isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida. É o que faz com que ela não seja nem curta, nem longa demais, mas que seja intensa, verdadeira, pura enquanto durar."



segunda-feira, 4 de julho de 2011

desabafo

foi tanta coisa, mas foi tão pouco...
paro aqui em meio a todas as coisas inadiáveis que preciso fazer e lembro do teu cheiro...e sinto a tua falta... faltou...
não deu tempo.
não tivemos tempo... nem tivemos nem teremos, simplesmente não era pra ser. Vou me conformar com esse fim reticente, sem se esgotar. Como a morte que vem e não pede licença.

mesmo assim, ficou
ficou um pouco de vc pelos poucos caminhos que percorremos...e esse pouco vem como alucinação engrandecida, quando por lá passo sozinha...e vem teu sorriso...e vem aquele olhar desconfiado, de interessado, aquela cena que dura menos de um segundo...
ai a vida e esses segundos, que nos acompanham por anos, como lembranças reluzentes de um passado que se faz presente, por causa da ausência.
A tua ausência está cheia de você, e a tua lembrança neste momento é como um sonho que tento lembrar e não consigo. A tua lembrança parece mentira.

Por todos os lados essa ausência me move, me faz correr em direção à tudo aquilo que não me lembre você, à tudo aquilo que já existia...

segunda-feira, 27 de junho de 2011

sem entender como não se cansa

“Lá está ela, mais uma vez. Não sei, não vou saber, não dá pra entender como ela não se cansa disso. Sabe que tudo acontece como um jogo, se é de azar ou de sorte, não dá pra prever. Ou melhor, até se pode prever, mas ela dispensa.
Acredito que essa moça, no fundo gosta dessas coisas. De se apaixonar, de se jogar num rio onde ela não sabe se consegue nadar. Ela não desiste e leva bóias. E se ela se afogar, se recupera.
Estranho e que ela já apanhou demais da vida. Essa moça tem relacionamentos estranhos, acho que ela está condicionada a ser uma pessoa substituta. E quem não é?
A gente sempre acha que é especial na vida de alguém, mas o que te garante que você não está somente servindo pra tapar buracos, servindo de curativo pras feridas antigas?
A moça…ela muito amou, ama, amará, e muito se machuca também. Porque amar também é isso, não? Dar o seu melhor pra curar outra pessoa de todos os golpes, até que ela fique bem e te deixe pra trás, fraco e sangrando. Daí você espera por alguém que venha te curar.
Às vezes esse alguém aparece, outras vezes, não. E pra ela? Por quem ela espera?
E assim, aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará.
A moça – que não era Capitu, mas também têm olhos de ressaca – levanta e segue em frente.
Não por ser forte, e sim pelo contrário… Por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. Afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo.”



Caio Fernando Abreu

terça-feira, 21 de junho de 2011

reflexões



Estive lendo as Confissões, de Santo Agostinho, e gostaria de deixar um trecho aqui para os tão raros leitores deste blog.

"...Perguntei à terra, perguntei ao mar e às profundezas, entre os animais viventes às coisas que rastejam. Perguntei aos ventos que sopram, aos céus, ao sol, à lua, às estrelas, e a todas as coisas que se encontram às portas da minha carne...

Minha pergunta era o olhar com que as olhava.

Sua resposta era a sua beleza. "



quinta-feira, 28 de abril de 2011

Olhai para cima

Eu olho pra cima.
Aliás sempre que possível.
O céu me traz a infinitude...
Está tão longe, tão perto, às vezes fica dentro de mim, e às vezes consigo uma foto dele.
Essa acima foi tirada no primeiro dia do ano de 2011.
Um ano que já começou com muita "dança da mudança", me levando a percorrer e redescobrir caminhos diferentes!E relembrando que "só a mudança é permanente". No meio dessas danças e mudanças, eu vou lá um pouco pra olhar o céu...
O céu acalma meus anseios quando paro tudo e me perco olhando pra imensidão dele.
Pode ser num azul tremendo, na luz das estrelas, no sol se pondo, pássaros voando, avião passando, nuvens dançantes, nuances...

O mistério mora no céu.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Essência secreta




"A finalidade da arte é dar corpo à essência secreta das coisas, não copiar sua aparência. "
Aristóteles


segunda-feira, 18 de abril de 2011

Momentos: isso é tudo




...Porque a vida é isso: uma arte de celebrar momentos...

terça-feira, 29 de março de 2011

Desabafo do corpo relutante relutando

coração querendo se perder por aí

e a mente não

ela quer voar pra longe

quer novo horizonte

o coração só quer se perder

se perder de amor por alguem

por ai, por um bem

em qualquer esquina

em algum olhar

em encontros e em pessoas

em olhos e olhares

o coração só quer mistério

se perder e se entregar

ele não se cansa

de querer se entregar ao mistério

se jogar do abismo do agora momento

a mente não

ela vê lá na frente, buscando novo horizonte

trazendo o passado por vezes

dilascerante

E o coração e a mente brigando pelo corpo

pelo caminho que o corpo

vai passar

a mente escolhe um lado, logo o coração quer outro

a mente vê os caminhos, lá em frente

o coração só quer o mistério

o coração nunca liga de sofrer

o coração não se cansa

de procurar o melhor caminho para se perder

e se entregar

o coração quer se enlaçar com outro coração

mas a mente não

a mente vai decidir o caminho onde o corpo vai passar

a mente ve lá na frente

o coração quer se entregar ao presente

ele não liga nunca de se apaixonar

ele não liga nunca de sofrer

e o corpo sempre dividido entre mente e coração

pisando cada hora com o passo em uma direção

não sabe onde ir

já não sabe não ser mais ser só mente

precisa aprender

a ser menos coração