
um escuro
calor e sons
estou envolto
o lacre se quebra
o alimento me é cedido
pouco vejo e
um dia caio
tento tento
bato
batem
subo e caio
subo mais e tento mais
subo e sigo
vejo e sinto
eu e a imensidão
No auge de um pôr-do-sol muito belo
um estrondo
um tiro
o escuro...
a queda
a morte (?)
a caça (!)
acordo...
as grades
a prisão
as saudades da imensidão
meu triste canto
num triste canto frio
um imenso vazio...
o bater de asas foi um sonho?
um sonho que não durou?
os dias passam
as folhas caem
outros me chamam, clamam
em liberdade
entristeço-me
e só me resta o meu cantar...
as flores nascem e os dias passam
as pessoas falam, passam
LIBERTE-ME
grito
grito pela liberdade
os dias passam mais longos...
minhas asas, pra que servem?
cantos tristes e solitários
são tudo o que tenho agora
[...]
mas um dia
num dia como os outros na prisão
vem uma criança risonha de coração
e cautelosamente cuidadosa
abre essa pequenina porta
e sai correndo vibrante e saltitante
provoca-me
será um sonho?
vou trêmulo até a porta
olho para cima e vejo toda a imensidão azul
minhas asas ...
podem elas ainda?
tentar?
antes que fechem a porta...desespero
arde
bato
batem?
tremo
batem e batem
respiro , esforço
eis que sou recompensado
e logo me acalmo
ao ver o chão ficando longe
e o céu chegando...
o sentir os ares passando pelas asas,
a imensidão me tocando...
mergulho no ar
e me embriago em liberdade!
o sonho é a realidade!
não há mais tristeza não
apenas imensidão