quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

O rompe-se o lacre. E faz-se vôo livre.












um escuro
calor e sons
estou envolto

o lacre se quebra
o alimento me é cedido
pouco vejo e
um dia caio
tento tento
bato
batem
subo e caio
subo mais e tento mais

subo e sigo
vejo e sinto
eu e a imensidão








No auge de um pôr-do-sol muito belo

um estrondo

um tiro

o escuro...

a queda

a morte (?)

a caça (!)









acordo...

as grades

a prisão

as saudades da imensidão





meu triste canto
num triste canto frio
um imenso vazio...
o bater de asas foi um sonho?
um sonho que não durou?





os dias passam
as folhas caem
outros me chamam, clamam
em liberdade
entristeço-me
e só me resta o meu cantar...
as flores nascem e os dias passam
as pessoas falam, passam
LIBERTE-ME
grito
grito pela liberdade
os dias passam mais longos...
minhas asas, pra que servem?
cantos tristes e solitários
são tudo o que tenho agora






[...]






mas um dia

num dia como os outros na prisão

vem uma criança risonha de coração

e cautelosamente cuidadosa

abre essa pequenina porta

e sai correndo vibrante e saltitante

provoca-me

será um sonho?

vou trêmulo até a porta

olho para cima e vejo toda a imensidão azul

minhas asas ...

podem elas ainda?

tentar?

antes que fechem a porta...desespero

arde

bato





batem?
tremo

batem e batem
respiro , esforço
eis que sou recompensado

e logo me acalmo

ao ver o chão ficando longe
e o céu chegando...
o sentir os ares passando pelas asas,
a imensidão me tocando...












mergulho no ar

e me embriago em liberdade!

o sonho é a realidade!
não há mais tristeza não
apenas imensidão